Caderno de Uaba

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A faxina

Posted on: outubro 26, 2008

Faxina na minha casa é sinônimo de guerra, medo, discórdia e, eventualmente, um quebra-quebra básico. Normalmente há a pré-faxina, que consiste em esconder dinheiro, objetos de valor e coisas de uso diário que estão espalhadas e não quero que se percam no meio da confusão. Pego tudo e guardo num lugar seguro, longe do alcance das principais pessoas envolvidas no seu possível sumiço: a faxineira ou minha mãe.

Sinceramente, não sei porque minha mãe contrata faxineira porque ela acaba se estressando tanto, que não é possível que valha a pena tanta paranóia para pouco tempo de aproveitamento das coisas limpas. Minha mãe não sossega enquanto a faxineira não guarda a última vassoura ou espreme o último pano. Ela fica atrás da moça, ajudando, limpando também, levantando peso, passando pano nos móveis, ensinando o que deve ser feito. No fim do dia ela fica exausta, com dor na coluna, pedindo massagem e reclamando que a fulana não limpou direito aquele canto do móvel. Dá até uma certa pena, mas logo vejo que foi ela que procurou se estressar com uma coisa que foi feita justamente para deixá-la com tempo livre para fazer outras coisas. Minha mãe é uma contradição ambulante.

Quando eu disse que faxina é guerra, medo e discórdia, digo isso por mim. Primeiro, tenho que lutar contra minha mãe para que ela não me obrigue a começar a faxinar meu quarto antes mesmo da faxineira chegar. Sério, a mulher que limpe minhas coisas, eu vou ficar onde estou, seja lá o que esteja fazendo e só saio quando ela for limpar. Segundo, minha mãe tem mania de cismar com alguma coisa minha e querer jogar fora. Por exemplo, minha coleção de band-aids colados na parede do banheiro, que já foi ameaçada diversas vezes, ou minha coleção de sacos plásticos, que, infelizmente, acabou transportando lixo no final de alguma faxina. Sem falar nos meus materiais de maquete que, vez ou outra, sempre “desaparecem”, até mesmo se não houver faxina. Por último, as brigas que acontecem são inúmeras e vão desde o melhor dia para a realização da faxina, até o quarto que será faxinado primeiro, passando pelas discussões sobre o salvamento das minhas coleções. E o quebra-quebra? Bem, ele é gerado por todos os fatores acima, mais o fato de que sempre a faxineira que minha mãe arranja é desastrada.

Minha mãe não é uma dona-de-casa exemplar, mas, quando ela resolve ser, é esse tipo de coisa que acontece. Acho que ela deveria é relaxar, ficar vendo tv, enquanto a faxina acontece casa adentro. É uma coisa que perde o efeito tão rapidamente, que não vale a pena o esforço. Por isso, quando eu crescer, vou ficar sentada enquanto a moça realiza o trabalho escravo remunerado. Nem ligo, afinal, escravidão por escravidão já vai bastar meu emprego e garanto que a faxineira também não sentirá nenhuma pena de mim.

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Ontem presenciei uma situação de caos e desespero na internet. As pessoas não paravam de twittar e plurkar sobre o assunto. Eram suposições, novos posts a cada minuto, gente dizendo que ia cortar os pulsos, pessoas já sem esperança alguma. A notícia chocante da morte da Dercy Gonçalves deixou por todo lado um rastro de incredulidade. Todo mundo achava que a velhinha era imortal, que todos iam morrer, menos ela. Com isso, o senhor Orkut resolveu disseminar ainda mais o caos: tirou do ar, por mais de 5 horas, o site de relacionamentos mais usado da internet.

Seria uma espécie de luto pela morte da Dercy? Seria uma caça aos milhões de perfis fakes e comunidades para fakes existentes na face do site? Seria uma operação para caçar os brasileiros que dizem que moram na Ucrânia só para poder usar os novos gadgets (como o Buddy Poke)? Seria uma demonstração do quão dependente nossa geração se tornou do site? Seria para abrir os olhos do povo para a maldita inclusão digital? Seria algum hacker, que conseguiu desbloquear todos os álbuns para deleite dos usuários bisbilhoteiros?

Suposições, nada mais que isso. A Folha Online foi perguntar ao Google o que aconteceu e ele respondeu que era apenas uma manutenção rotineira. Você acredita? Ou fica com alguma das suposições acima? Ou cria a sua própria teoria para o caos internético?

Engraçado ou não, o que parece é que há cada vez mais heavy users na internet. E um link que passaram pelo twitter veio a calhar para este post. É o Dependência de Internet – Ambulatório Integrado do Transtornos do Impulso, um grupo de psicólogos que busca identificar estes heavy users e oferecer atendimento, orientação e possíveis tratamentos para que a dependência tecnológica não cause mais danos à saúde da pessoa. Se você acha (ou não) que a internet tem prejudicado você ou sua carreira de alguma forma, vale a pena fazer o teste e descobrir. Mais uma doença da vida moderna, pessoal.


A dona

Uaba, 21 anos, Recife. Faço Arquitetura e Urbanismo, mas era absurdamente melhor quando cursava Letras. Ansiosa, perfeccionista e sonhadora. Consumista, que só gosta de ganhar presentes. Sempre procrastinando. Humor super oscilante. ♥ English ♥ an adorable green-eyed white rabbit ♥ Travis

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