Caderno de Uaba

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Posted on: novembro 7, 2008

Hoje não estou conseguindo me expressar através de palavras.

Estou me sentindo como se não tivesse sentimentos. Fiquei vazia de repente, parece que não sobrou nada em mim. Até estou com fome, mas não é disso que estou falando. Sempre tive medo de, um dia, meu coração parar de bater. Não no sentido de parar de bombear sangue para o corpo, mas de parar de responder a estímulos sentimentais. Quando vejo alguém que gosto e ele bate mais rápido, ou quando descanso e, aos poucos, ele vai desacelerando e eu vou ficando alegre, essas coisas. Quando era criança, ao me deitar, ficava um tempo prestando atenção às batidas. Às vezes pensava em algo triste e as batidas aceleravam, ou pensava no dia que viria e ele batia como se estivesse ansioso. Era legal, me divertia e fazia com que o sono chegasse mais rapidamente.

Muitos gostam de dizer que a gente ama, sente, se cansa, fica triste ou alegre, pelo cérebro. Concordo, mas essas pessoas esquecem do coração. De que é ele quem dita o ritmo dos sentimentos. Ao bater “normal”, sinto como se estivesse “assentimental”. Não gosto desta sensação. Acho que, desde criança, brincava mesmo era de testar minhas emoções. E o coração era meu brinquedo. Aprendi a manipulá-lo de vez em quando, mas ele nem sempre me obedece. Claro, se não, a vida seria muito chata e sentir se tornaria mais uma tarefa do que uma surpresa que os momentos trazem.

Quando descobri que tinha arritimia – do tipo que não vai me matar e que não precisa de remédio -, achei mais divertido ouvir minhas batidas cardíacas. Nunca tinha percebido, mas, em vez de fazer tum-tum-tum-tum-tum-tum, meu coração faz tum-tum-tumtum-tum-tum. É estranho, mas ainda me divirto quando ouço.

Depois de escrever os três parágrafos acima já consigo sentir algo: confusão. E lembrei que alguns sentimentos não precisam de ritmo. Meu coração está batendo do mesmo jeito que comecei a escrever o texto, mas, agora, descobri o que estava sentindo. Escrever sobre sentimento e coração é algo difícil. E o que aprendi com este texto foi que coisas difíceis deixam meu coração calmo. Dificuldade é normal para mim, sentir é normal para mim e falar sobre coração é o mais normal de tudo.


A dona

Uaba, 21 anos, Recife. Faço Arquitetura e Urbanismo, mas era absurdamente melhor quando cursava Letras. Ansiosa, perfeccionista e sonhadora. Consumista, que só gosta de ganhar presentes. Sempre procrastinando. Humor super oscilante. ♥ English ♥ an adorable green-eyed white rabbit ♥ Travis

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