Caderno de Uaba

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Esta é a história da menina que tinha um banheiro mágico. Seu banheiro parecia um banheiro comum, mas o antigo dono da casa em que ela foi morar, um velho senhor contador de histórias, deixou um “encantamento” neste banheiro, justamente o que ficava no quarto da garotinha. Todas as vezes que a garotinha entrava nele, ela ficava invisível e ia para um mundo diferente, em que ela podia fazer o que desejasse, mas com uma condição: ela teria que imaginar o que queria.

Às vezes, a garotinha estava muito cansada e só pedia um papel e uma caneta para escrever, desenhar ou fazer barquinhos. Quando estava feliz, seu mundo poderia ter um grande gramado verde onde ela se deitava, sem formigas para incomodá-la, e podia observar a imensidão do céu estrelado. Uma vez ela até foi aluna de um colégio interno, numa outra época, só para moças, bem longe da sua família e com muitos deveres de casa. A menina também já usou roupas diferentes, experimentou pratos exóticos e brincou com seu cabelo, fazendo penteados muito estranhos. Frequentemente, ela nadava em poças de lágrimas e sangue, mas terminava escorregando por um tubo até bater na parede do banheiro real. Ela adorava o tubo!

Fonte da imagem

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A garotinha nunca mais quis se mudar para outra casa, pois sentia-se feliz por ter um banheiro mágico. Ninguém sabia dele, nem mesmo seus pais. Certa vez, uma amiga da menina entrou nele. Foi muito tenso, pois ela não sabia se o seu mundo se manifestaria para sua amiga. Aparentemente, a amiga não conseguiu ver nada diferente porque saiu de lá do mesmo jeito que entrou (talvez apenas com a bexiga vazia). Este fato intrigou um pouco a garota, mas ela resolveu não perguntar nada à amiga, o segredo seria quebrado.

Um dia a menina entrou no banheiro e deixou um bilhete escrito: “Oi, tem alguém aí? Alguém pode me ver aqui?”. Colou o bilhete no espelho, fechou a porta e saiu por uns instantes. Quando voltou, havia uma resposta colada embaixo da sua: “É apenas sua imaginação, garotinha!”. Então ela compreendeu que o seu querido banheiro só se “manifestava” de acordo com a mente de quem entra nele. Aí ela pensou na sua amiga, e concluiu que ela não tem imaginação!

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Janela

Posted on: outubro 22, 2008

A mocinha estava olhando pela janela como costumava fazer todas as noites, quase na mesma hora. Apoiava a mão no queixo e contemplava sua mente. Por isso nunca notou o rapaz que sempre olhava pela janela do prédio vizinho. Ao contrário dela, ele olhava algo, ele a olhava e sempre se questionava o que aquela moça estaria pensando, pois seu olhar não parecia ver a realidade. Estavam em planos diferentes.

Todas as noites, o mesmo ritual.

Um dia, a mocinha parou de ler o romance, encostou o livro na cama e correu para a janela. Desta vez, não olhou seus pensamentos, mas a realidade. Finalmente ela conseguira sair do imaginário, viu a realidade, viu o mocinho bem ali, no prédio ao lado. Acenou. Ele acenou de volta. Os dois riram. Finalmente haviam se encontrado!

O rapaz entrou no quarto e voltou para a janela mostrando um papel onde havia escrito: “Por que parou de ler?”. A mocinha respondeu no seu papel: “Porque o livro me mandou olhar pela janela!”. Curioso, ele escreveu outra pergunta: “Não quer saber o final da história?”. Ela, sorrindo, mostrou seu papel: “Eu já sei o final…” O mocinho não aguentou: “E qual é?”. A mocinha, então, revelou: “E viveram felizes para sempre”.

Estava navegando pelo tumblr. agora e encontrei esta foto. As prateleiras arrumadinhas do supermercado logo me lembraram um desejo louco de quando eu era criança: sair correndo com um carrinho pelos corredores de um supermercado sem ninguém e coletar o máximo de mercadorias das prateleiras. Tinha essa vontade porque havia um programa na televisão (que, por algum motivo inexplicável, eu só conseguia assistir na casa da minha avó), que era um jogo em que as pessoas corriam por um mercado cenográfico, abarrotando o carrinho de coisas, quem conseguisse mais, ganhava. Logo, as pessoas passavam correndo e “varriam” as prateleiras com o braço, deixando tudo cair de qualquer jeito no carrinho. Achava aquela bagunça toda muito legal! Sempre escolhia um time para torcer.

Me odeio por eu não ter sido uma criança hiperativa ou descontrolada, se não, estaria contando outra história muito mais divertida aqui.

Olhando através da janela do carro, Ágatha ficou pensativa, enquanto seus pais conversavam futilidades no banco da frente. Viu um homem, já mais velho, dirigindo o seu carro e pensou “ele é velho e está dirigindo um carro”. Depois, quis ir um pouco além: “esse homem tem uma vida, esposa, filhos, talvez e está ali, no seu carro… em que ele pensa?”. Claro que ela não sabia responder a essa pergunta, mas foi pensando e pensando… Depois, viu uma mulher “ela já foi da minha idade, já fez um monte de coisas que eu fiz, mas sempre diferente do que eu fiz, tudo é diferente para todo mundo”. Pensar era bom para Ágatha, ela sentia-se como controlando o mundo. Podia fazer com que aquela mulher, de repente, tivesse dois filhos, um marido rico (por causa do carro que ela estava dirigindo) e, antes disso, estudava em um colégio de freiras, onde não havia festivais de dança, feiras de ciências e viagens pedagógicas, como havia no colégio dela. “Coitada, não deve ter tido as mesmas alegrias que eu tive”.

Chegando ao seu destino, Ágatha foi fazer compras, sozinha desta vez, a primeira vez em que saía sozinha para aquele lugar onde sempre ia com sua mãe. Foi uma sensação diferente. Primeiro, sentiu como se pudesse tudo, naquele lugar onde o consumismo tomava conta das pessoas, sentiu-se contaminada pelo consumismo, queria comprar tudo aquilo que sua mãe não deixava, queria experimentar a sensação de ter. Porém, lembrou-se de que não tinha dinheiro para comprar tudo o que quisesse, sentiu-se triste e seguiu, automaticamente, para o lugar que deveria ir. “Enfim, estou aqui, preciso comprar só o necessário, pois não terei dinheiro para pagar o que quero”. As pessoas passavam por ela, a maioria com pressa, carregando sacolas enormes, apenas algumas olhavam para Ágatha, mas depois desviavam o olhar. “Será que eu sou tão diferente assim dele?” pensou novamente, aliás, o que ela podia fazer era só pensar mesmo, pois não falaria nada, para que ninguém achasse que ela fosse uma doida. “Posso não ser tão diferente mesmo, aquele rapaz já foi bebê, criança, adolescente, eu também fui então não podemos ser tão distintos” concluiu ela, mas em seguida, viu que seu pensamento não era adequado, “somos diferentes porque vivenciamos sensações, acontecimentos, e estivemos em lugares diferentes”. Depois ela se perguntou se alguém pensava sobre essas coisas, muita gente deveria dizer a ela: “menina deslumbrada, pára de pensar na vida e vai comprar que é melhor”. Ágatha tinha pena dessas pessoas de mente limitada, que não deixavam seu pensamento se libertar das coisas cotidianas e ir além, ir para onde ninguém pensou ou, se pensou, com certeza pensou diferente. “Nada acontece igual para duas pessoas” isto era tão lógico para ela, fazia tanto sentido, não sabia porque, mas ainda iria saber, algum dia, quando seu pensamento se libertasse de vez, atravessasse alguma barreira, até agora intransponível.

Ágatha gostava de pensar. Estava fazendo compras sem sua mãe ao lado, conversando, assim, podia pensar mais ainda. Estava livre, não só da mãe, mas também com os pensamentos livres, com tempo de sobra para pensar no que quisesse enquanto caminhava e comprava as coisas que precisava. Ligou o piloto automático do seu corpo e foi além do ter. Pensar, ser, viver, era o que realmente importava para ela. E não deixaria ser levada por essa onda do ter, não entraria nem no mar, para não ter perigo de ser puxada pela correnteza.

Seleção dos melhores textos que acho que já escrevi. Post de algum dia do ano de 2006.

Cá estou eu, deitada na cama do quarto digitando com os cotovelos apoiados no colchão. Meus braços estão dormentes e creio que estarão formigando quando mudar de posição. Estou sem sono e com um pouco de fome, preciso tomar meu remédio. Será que a luz do primeiro andar estará acesa? Se pelo menos a da cozinha estivesse, eu não teria tanto medo. A casa onde estou é antiga, deve ter mais ou menos uns oitenta anos, não sei. O fato é que, como a maioria das casas antigas, ela fica assustadora à noite. Ouve-se tudo o que acontece na rua. Como é época de São João, há pouco tempo podia ouvir o show de Alceu Valença, que aconteceu a poucos metros daqui (terminou há alguns minutos e, daqui a pouco vem outra atração). Também ouço os carros passando na rua, são poucos. As pessoas que passam provavelmente vão ou voltam do Parque do Povo, o grande ponto de encontro do São João de Campina Grande. Os barulhos aqui de dentro são poucos: meu pai roncando, minha mãe se espreguiçando, eu digitando e a hamster maluca ajeitando seu ninho. A luz, que é bastante fraca, de vez em quando pisca. Imagine só se falta energia, quanto trabalho perdido!

Agora o frio ficou mais intenso. Não sei quantos graus fazem, mas aqui o vento é frio. A cidade fica numa serra, ou seja, apesar de ser no Nordeste, é possível sentir um friozinho, principalmente de madrugada. Ah, esqueci de dizer, são um e vinte da manhã. Há pouco eu estava fazendo um trabalho da faculdade, mas aqui não tem internet, e eu fiquei com preguiça de continuar a trabalhar, por isso, resolvi descrever o que está acontecendo. Encaro esses momentos de solidão como uma oportunidade de praticar minha escrita. Não sou muito boa em descrições de acontecimentos, então, tento escrever sobre isso ao máximo, porque acho uma atividade – de lazer, para mim – muito interessante. Às vezes até descrevo coisas mentalmente. Queria poder registrar alguns dos meus pensamentos certas vezes, mas não tenho um pedaço de papel e uma caneta para anotá-los, e, mesmo que tenha, pode ser que a situação não seja propícia para começar a escrever idéias freneticamente.

Começou a tocar uma música, acho que o outro show vai começar. Nossa, está um eco terrível no microfone do apresentador, não consigo entender o que ele diz, que saco (é impressão minha ou ele disse “Galo da Madrugada”?). Agora veio uma voz de boneco dialogando com o apresentador, mas não entendo nada. Acho que é nessas horas que a multidão fica totalmente impaciente, esperando a porcaria do boneco imbecil sair do palco para começar logo o show, dá até para ouvir aquele murmúrio de pessoas falando, nem aí para o que o boneco tá dizendo. Às vezes acho meio que uma falta de respeito a pessoa ficar conversando enquanto algo chato acontece no palco, mas confesso que eu mesma faço isso. Tem coisas que realmente não dá para aguentar. (Odeio quando não consigo lembrar de nenhum exemplo para dar que demonstre o que quero dizer. É outra dificuldade que tenho, lembrar exemplos na hora. Mas isso é uma questão de memória). Ôpa, o apresentador falou:
– Começamos com força total
– (o boneco disse algo incompreensível)
– Fala, Chico. – acho que Chico é o nome do boneco
– blá…
– Então vamos falar dos nossos patrocinadores
– (Chico fala dos patrocinadores)
Agora começou outro diálogo chato, que, provavelmente, só umas 5 pessoas no meio de milhares, estão prestando atenção. Agora colocaram uma música para enrolar o povo enquanto o artista – que eu não sei quem é até agora – se arruma.

Decoração de São João

foto que tirei no “forródromo”

O sono está batendo, está tão friozinho que vou dormir com a roupa que estou mesmo, preguiça de me trocar. Meu pai está se mexendo na cama ao lado, ele demora a dormir, coitado, tenho pena de fazer barulho para não acordá-lo.

Eita, o apresentador começou a apresentar a banda inteira. Parece que agora vai! A multidão grita, o apresentador enrola, putz, morguei agora, murchei totalmente. Cadê o “e com vocês… fu-la-no de tal o não-sei-o-quê do norrr-dessss-teeee!!!”???? Cadê? Como assim o homem começou a cantar e não falou nem seu nome? Ai ai, só aqui mesmo. Agora eu e você ficaremos para semre sem saber quem está tocando o forró pé-de-serra de Campina Grande. Frustrante. Tão frustrante que eu vou dormir, até Nancy, a hamster, já arrumou o ninho e está no maior sono. Agora é arrumar coragem para entrar no banheiro frio, só com água gelada, lavar o rosto, escovar os dentes, tomar o remédio e… dormir! É, tá bom mesmo, porque aqui todo mundo reclama que eu acordo tarde: “essa menina fica aí, dormindo, não aproveita o dia”, “nunca vi menina pra dormir tanto, termina perdendo as coisas”, etc. E eu vou dormir tarde e acordar tarde de propósito mesmo. Bem não sei que aquele almoço de família de terceiro grau, em que o povo só bebe, conversa e espera a primeira carne sair lá pras 4 horas da tarde, vai acontecer amanhã. Estarei dormindo e, se me pegarem, tenho um trabalho e-nor-me como desculpa para me livrar e ir pra feira de artesanato. Adoro gastar litros de dinheiro em feiras de artesanato! Ah, cansei, parei aqui (nossa, ficou gigantesco esse “texto”)!

Sempre há ocasiões em que você não participa da história. Vira um mero observador que se sente obrigado a contá-la. Costumo escrever sobre fatos ou fantasias que aconteceram comigo. Hoje será diferente, pois tenho certeza que todos que acompanharam os fatos como realmente ocorreram reagiram da mesma forma que eu.

Muita gente costuma conversar em passagens, principalmente num shopping, o local que mais tem gente indo e voltando em todas as direções (sou a favor de faixas de trânsito de sentido obrigatório de pedestres, seria tão bizarro). Justamente nesse dia, havia um grupo de pessoas conversando na porta de saída e entrada mais movimentada do shopping: três senhoras, duas crianças e um velho. Os adultos batiam um papo rápido, falavam sobre e-mails trocados. As pessoas se espremiam para passar por eles, mas ninguém reclamava, afinal, todos param em passagem também.

Eis que vem um rapaz de olhos puxados e fala, bem no meio da roda de conversa da passagem:
– Sai da passagem, velho safado! – e sai andando como se tivesse dado bom dia.
Segundos de tensão e:
– O quê?! Como é que você diz isso na frente das minhas netas, seu japona! – enquanto falava, o velho partia pra cima do japona, que logo empurrou o velho. Ele caiu no chão e todos, absolutamente, olharam para ele, apoiado nos cotovelos, enfurecido. O segurança do shopping correu para tentar apartar a briga, enquanto os amigos do japona o seguravam e tentavam carregá-lo e a filha do velho corria para levantá-lo do chão. Vendo o segurança, o japona tratou de se defender:
– Foi ele quem começou! – disse, enquanto era carregado pelos amigos. O velho não gostou, pois, lógico, era mentira do rapaz, e saiu correndo atrás dele, gritando:
– Japona safado! – o rapaz também não gostou, acho que era chinês, coreano, sei lá, mas falou em português:
– Velho racista! – aí foi que o povo viu que ia terminar em besteira. As senhoras saíram correndo e conseguiram segurar o velho, os amigos do japona o conduziram para um lugar onde não pudesse ser ouvido ou visto pelo velho.

Todos ao redor ficaram parados. O velho checou o cotovelo arranhado e saiu resmungando. O segurança voltou ao seu posto. As pessoas começaram a conversar sobre o acontecido entre si.

Conclusões mais ouvidas por mim, uma das pessoas que observaram toda a cena: primeira, o japona não tinha nada que dizer aquilo, pedir licença seria muito mais sensato; segunda, o velho era explosivo; terceira, nenhum dos dois considerou que estava num shopping e que tinham crianças ali; última, se um dos dois estivesse armado, todo mundo ali corria risco. Unanimidades. Esta história eu não gostaria que se repetisse. Chega de emoções fortes.


A dona

Uaba, 21 anos, Recife. Faço Arquitetura e Urbanismo, mas era absurdamente melhor quando cursava Letras. Ansiosa, perfeccionista e sonhadora. Consumista, que só gosta de ganhar presentes. Sempre procrastinando. Humor super oscilante. ♥ English ♥ an adorable green-eyed white rabbit ♥ Travis

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