Caderno de Uaba

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Sempre há ocasiões em que você não participa da história. Vira um mero observador que se sente obrigado a contá-la. Costumo escrever sobre fatos ou fantasias que aconteceram comigo. Hoje será diferente, pois tenho certeza que todos que acompanharam os fatos como realmente ocorreram reagiram da mesma forma que eu.

Muita gente costuma conversar em passagens, principalmente num shopping, o local que mais tem gente indo e voltando em todas as direções (sou a favor de faixas de trânsito de sentido obrigatório de pedestres, seria tão bizarro). Justamente nesse dia, havia um grupo de pessoas conversando na porta de saída e entrada mais movimentada do shopping: três senhoras, duas crianças e um velho. Os adultos batiam um papo rápido, falavam sobre e-mails trocados. As pessoas se espremiam para passar por eles, mas ninguém reclamava, afinal, todos param em passagem também.

Eis que vem um rapaz de olhos puxados e fala, bem no meio da roda de conversa da passagem:
– Sai da passagem, velho safado! – e sai andando como se tivesse dado bom dia.
Segundos de tensão e:
– O quê?! Como é que você diz isso na frente das minhas netas, seu japona! – enquanto falava, o velho partia pra cima do japona, que logo empurrou o velho. Ele caiu no chão e todos, absolutamente, olharam para ele, apoiado nos cotovelos, enfurecido. O segurança do shopping correu para tentar apartar a briga, enquanto os amigos do japona o seguravam e tentavam carregá-lo e a filha do velho corria para levantá-lo do chão. Vendo o segurança, o japona tratou de se defender:
– Foi ele quem começou! – disse, enquanto era carregado pelos amigos. O velho não gostou, pois, lógico, era mentira do rapaz, e saiu correndo atrás dele, gritando:
– Japona safado! – o rapaz também não gostou, acho que era chinês, coreano, sei lá, mas falou em português:
– Velho racista! – aí foi que o povo viu que ia terminar em besteira. As senhoras saíram correndo e conseguiram segurar o velho, os amigos do japona o conduziram para um lugar onde não pudesse ser ouvido ou visto pelo velho.

Todos ao redor ficaram parados. O velho checou o cotovelo arranhado e saiu resmungando. O segurança voltou ao seu posto. As pessoas começaram a conversar sobre o acontecido entre si.

Conclusões mais ouvidas por mim, uma das pessoas que observaram toda a cena: primeira, o japona não tinha nada que dizer aquilo, pedir licença seria muito mais sensato; segunda, o velho era explosivo; terceira, nenhum dos dois considerou que estava num shopping e que tinham crianças ali; última, se um dos dois estivesse armado, todo mundo ali corria risco. Unanimidades. Esta história eu não gostaria que se repetisse. Chega de emoções fortes.

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A dona

Uaba, 21 anos, Recife. Faço Arquitetura e Urbanismo, mas era absurdamente melhor quando cursava Letras. Ansiosa, perfeccionista e sonhadora. Consumista, que só gosta de ganhar presentes. Sempre procrastinando. Humor super oscilante. ♥ English ♥ an adorable green-eyed white rabbit ♥ Travis

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