Caderno de Uaba

Posts Tagged ‘mãe

Hoje tive mais uma crise, daquelas que vêm com um choro soluçante, desesperado, como eu nunca havia chorado antes. Sei que este não é o assunto mais atrativo e estimulante para quem lê o blog, mas eu realmente preciso de algum lugar pra escrever. Me alivia, sabe?! No momento do desespero procuro escrever no meu caderninho. Quando estou um pouco melhor, venho no blog.

E o que me entristece mais ainda (e com motivo desta vez) é ver minha mãe tão preocupada comigo. Ela tenta me acalmar como pode. Reza comigo, me ajuda a respirar mais calmamente, me bota no colo. Consigo ver a angústia nos olhos dela de sentir-se impotente e só poder ajudar com seu carinho de mãe. Pra mim este carinho é extremamente necessário, ela nem sabe o quanto. Meu pai não sabe lidar muito bem com a doença, ás vezes ele acha que é malandragem minha para faltar aula, mas nem é. Ele acha que dando carão e chamando no grito, vai conseguir que eu acorde de alguma maneira. Não é por aí. Isso só piora, pois aumenta minha sensação de culpa. Mas eu sei que ele faz isso com a melhor as intenções, lógico, ele não é nenhum psicólogo.

Meu namorado também me ajuda bastante. Já tive várias crises de choro na frente dele e ele enxugou minhas lágrimas, me abraçou forte, me ajudou a respirar direito. Ele tem tanta paciência comigo e faz tudo pra me ajudar. Ah, como eu amo meu coelhinho.

A pior hora é quando estou sozinha. É quando tenho que tirar todas as minhas forças até de onde não existe mais nenhuma para tentar me levantar e fazer alguma coisa. É muito fácil ficar escrevendo no computador, mas é difícil, muito difícil, abrir os arquivos dos trabalhos e produzir alguma coisa. Entrar no ônibus e ir pra aula é fácil, mas sair de casa para pegá-lo, e ficar dentro de sala sem ter vontade de fugir é muito difícil. Tanto que não consigo descrever essa dificuldade. Pior ainda é quando me  perguntam: “cadê você? tá tão sumida, parece turista!”. Não sei o que falar. Dou uma risadinha e acho que isso basta para perceberem que não preciso nem quero responder a mais uma pessoa.

Eu realmente não queria ter que escrever essas coisas, desculpa.

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A faxina

Posted on: outubro 26, 2008

Faxina na minha casa é sinônimo de guerra, medo, discórdia e, eventualmente, um quebra-quebra básico. Normalmente há a pré-faxina, que consiste em esconder dinheiro, objetos de valor e coisas de uso diário que estão espalhadas e não quero que se percam no meio da confusão. Pego tudo e guardo num lugar seguro, longe do alcance das principais pessoas envolvidas no seu possível sumiço: a faxineira ou minha mãe.

Sinceramente, não sei porque minha mãe contrata faxineira porque ela acaba se estressando tanto, que não é possível que valha a pena tanta paranóia para pouco tempo de aproveitamento das coisas limpas. Minha mãe não sossega enquanto a faxineira não guarda a última vassoura ou espreme o último pano. Ela fica atrás da moça, ajudando, limpando também, levantando peso, passando pano nos móveis, ensinando o que deve ser feito. No fim do dia ela fica exausta, com dor na coluna, pedindo massagem e reclamando que a fulana não limpou direito aquele canto do móvel. Dá até uma certa pena, mas logo vejo que foi ela que procurou se estressar com uma coisa que foi feita justamente para deixá-la com tempo livre para fazer outras coisas. Minha mãe é uma contradição ambulante.

Quando eu disse que faxina é guerra, medo e discórdia, digo isso por mim. Primeiro, tenho que lutar contra minha mãe para que ela não me obrigue a começar a faxinar meu quarto antes mesmo da faxineira chegar. Sério, a mulher que limpe minhas coisas, eu vou ficar onde estou, seja lá o que esteja fazendo e só saio quando ela for limpar. Segundo, minha mãe tem mania de cismar com alguma coisa minha e querer jogar fora. Por exemplo, minha coleção de band-aids colados na parede do banheiro, que já foi ameaçada diversas vezes, ou minha coleção de sacos plásticos, que, infelizmente, acabou transportando lixo no final de alguma faxina. Sem falar nos meus materiais de maquete que, vez ou outra, sempre “desaparecem”, até mesmo se não houver faxina. Por último, as brigas que acontecem são inúmeras e vão desde o melhor dia para a realização da faxina, até o quarto que será faxinado primeiro, passando pelas discussões sobre o salvamento das minhas coleções. E o quebra-quebra? Bem, ele é gerado por todos os fatores acima, mais o fato de que sempre a faxineira que minha mãe arranja é desastrada.

Minha mãe não é uma dona-de-casa exemplar, mas, quando ela resolve ser, é esse tipo de coisa que acontece. Acho que ela deveria é relaxar, ficar vendo tv, enquanto a faxina acontece casa adentro. É uma coisa que perde o efeito tão rapidamente, que não vale a pena o esforço. Por isso, quando eu crescer, vou ficar sentada enquanto a moça realiza o trabalho escravo remunerado. Nem ligo, afinal, escravidão por escravidão já vai bastar meu emprego e garanto que a faxineira também não sentirá nenhuma pena de mim.

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A dona

Uaba, 21 anos, Recife. Faço Arquitetura e Urbanismo, mas era absurdamente melhor quando cursava Letras. Ansiosa, perfeccionista e sonhadora. Consumista, que só gosta de ganhar presentes. Sempre procrastinando. Humor super oscilante. ♥ English ♥ an adorable green-eyed white rabbit ♥ Travis

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