Caderno de Uaba

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… de escrever exatamente o que estou pensando agora. Apesar de as palavras escritas saírem mais devagar que as palavras pensadas e de eu achar que é impossível escrever realmente o que se pensa. Bem, vou começar pela descrição que é mais fácil.

Estou sentada na frente do laptop da minha mãe, que está sobre a minha escrivaninha no meu quarto. A porta, que fica bem ao lado, está fechada, mas não trancada. Fico bem de frente para a porta, ou seja, se alguém chegar, vai me pegar no susto. A luz do quarto está apagada, mas a do banheiro está acesa, pois meus pais estão dormindo no quarto ao lado e minha mãe insiste que a fresta de luz que sai embaixo da porta do meu quarto a impede de dormir direito. A janela está quase toda aberta e o vento do ar-condicionado está ligado porque o calor é insuportável. Os passarinhos já estão começando a cantar.

Não sei que horas são. O relógio do computador marca 23:19h, já o do meu blog diz que são 07:19h, mas o do meu celular diz que já são 4:20h da manhã. Sei que o certo é o último, mas não queria que fosse. Gostaria mesmo era que fossem quatro da manhã do dia 13 de novembro de 1987. Eu estaria deitada no berçário, inocente, dormindo logo após ter passado pelo impacto de respirar pela primeira vez. Minha mãe estaria no quarto do hospital, também dormindo, após a bênção do fim da primeira gravidez, com a certeza de ter uma filha saudável esperando por ela assim que acordasse. Meu pai, estaria acordado, eu acho, pensando que não conseguira ver a filha nascer, pois ficara preso no corredor do hospital entre duas portas trancadas.

Era assim que queria estar. Exatamente como se tivesse acabado de nascer. Poderia aprender tudo o que um bebê aprende, brincar tudo o que uma criança brinca, fazer todas as besteiras que um adolescente faz, até chegar a esta fase tão difícil: o jovem adulto. Não sou mais adolescente, nem estou completamente adulta. É este o tipo de confusão que se instala na minha mente de vez em quando. O que sou? O que procuro? Para que faço isso? Ninguém, muito menos eu mesma sei explicar. Muitos tentam, acham que sabem, e ainda ousam dizer que deveria fazer igual. Mas é tudo diferente, sempre foi, sempre será. Não há nada mais difícil que se colocar no lugar do outro. Eu sei, já tentei.

A noite já não está mais escura. Os pássaros estão tomando conta do silêncio. Daqui a pouco meu pai acorda e vai à feira. Não sei se meu irmão chegou da festa. Esta posição na cadeira está acabando com minha coluna, mas me sinto confortável. Preciso fazer alguma coisa do tabalho de terça-feira, se não meu grupo vai ficar decepcionado de vez comigo. Preciso dormir. Quero mandar uma mensagem de boa noite para o meu namorado antes de dormir. Ainda tenho que lavar meu rosto, escovar os dentes e fazer xixi. Por que viver dá tanto trabalho? Será que ainda tenho muito tempo para aproveitar as madrugadas e fazer as ações mecânicas do dia-a-dia? Quando terei a sensação de desmaiar? Por que sinto sono e não quero dormir? Ainda gosto de viver? Já gostei um dia? Por que eu escrevo essas coisas se, quem realmente importa, não vai ler?

Cansei. Desisto. Parei. Não desista de mim. Já cansei de prometer, mas um dia realizo. Já cansei de pedir desculpas, mas um dia elas serão as últimas. Nada está implícito. Está tudo às claras, só você que não vê. Nem eu.

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Meninha, o que aconteceu? Está tudo bem? Sei que você gosta de conversar com os pássaros, pois seus cantos a confortam. Você não tem dever de casa para terminar? Então por que ainda está aí em cima? Desça, venha comer alguma coisa, para depois estudar. Não quer ir? Sente-se triste e não sabe a razão, sei disso. Também não tenho como saber. Isso acontece com muita gente e é difícil, eu sei. Mas você não deve se entregar, precisa ser forte e tentar. Não durma, menina! É pior! Você não me contou sobre seus sonhos naquele dia?! E você me disse que eram ruins, você sempre estava perdida, em lugares conhecidos, mas perdida. E não conseguia ajuda, pedia, mas ninguém ouvia você. Quer mais um sonho desses, menininha? Não, já sabia. Tente não dormir. Ouça o canto dos pássaros, veja o céu mudar de cor, o sol nascer no horizonte, preste mais atenção no mundo ao seu redor. Mas lembre-se: só enxergue a parte bela. Você precisa desta ilusão boa. Ela lhe fará mais bem do que a realidade crua.

Está na hora, menininha. Coloque os pés no chão, descruba quem você é. Faça o que você quer. Fale com quem você quiser, a hora que precisar. Não tenha medo. Tudo aqui é para você, principalmente as palavras. Um dia você encontrará seu significado, menininha. Um dia nada mais lhe fará sofrer. Um dia a dor passa. Menininha, minha menininha.

Assim que li isto, fiquei realmente com vontade de seguir estas regras. Dizem que se você fizer uma coisa durante 21 dias seguidos, é bem provável que isto vire rotina, que fique no automático (exemplo: “todo dia, às 9h, você escreve durante 1h sem parar”). Não sei se dá certo, mas vou tentar, vou mesmo.

O primeiro dia é hoje. Apesar de não ser este o horário escolhido (ou o ideal) para postar (são 3h da manhã), pelo menos já estou praticando. Começando minha rotina. Espero que dê certo, porque escrever é algo que realmente gosto.

Meu coração começou a acelerar de repente. Qual o motivo? Não sei. Desde 2005 meu coração começa a acelerar do nada. Posso estar dormindo, na aula, no carro, comendo, andando, tanto faz. A maldita taquicardia vem sem cerimônia alguma. Não, não é nenhum problema no meu pobre coraçãozinho. É o pânico. Ele se instala em mim e não mexe apenas com meu coração. Também faz minhas mãos e pés suarem, minha cabeça rodar, meu queixo tremer, minhas pernas baterem, meu intestino afrouxar, meu estômago embrulhar, minha língua enrolar, entre outras desfunções, não necessariamente ao mesmo tempo, nem nesta ordem.

É tudo completamente aleatório. Não sei quando, como ou porque a síndrome virá. Só sei que ela vem. Depois dela, ou durante, normalmente vem o choro. As lágrimas de tristeza. Os soluços de cansaço. E, assim, eu durmo, ou sou consolada por alguém até me acalmar. Posso tomar o remédio também, este sempre me “salvou” quando precisei.

Isso não é drama, não é “ser emo”, muito menos tentativa de ser digna de pena. Não. Isso é real. Aliás, o real é o que está na minha mente, que controla o meu corpo e o faz agir descontroladamente. Os sintomas são irreais. Já cheguei a ir ao hospital, mas, chegando lá, tudo passou e o médico não encontrou nada.

Síndrome do Pânico e Depressão não são brincadeira de adolescente. Nem são coisas precisas. Pode-se passar muito tempo sem elas, mas elas podem voltar a qualquer momento, sem nenhum motivo aparente. Não pedi para ter essas doenças. Também não peço para ser feliz. A única coisa que realmente quero é uma mente que não exacerbe as emoções. Que me faça sentir segura de que não terei vontade de correr a qualquer momento. Que só me faça chorar por razões óbvias. Que me deixe trabalhar, estudar, namorar, me divertir, sem que eu precise me esconder atrás de uma “aparência” normal ou de uma “vida” virtual.

Quem me vê no dia-a-dia ou quem conversa comigo na internet, não sabe o que eu passo (agora sabe). Não quero fazer drama, repito, nem fazer tipinho, muito menos quero que ninguém tenha pena de mim. Escrever sobre isso me ajuda a mostrar o que realmente se passa quando estou fora desses mundos, quando estou no meu mundo. Um mundo que, definitivamente, não quero mais chamar de meu.

Os próximos textos serão mais alegres, prometo. Estou praticando.


A dona

Uaba, 21 anos, Recife. Faço Arquitetura e Urbanismo, mas era absurdamente melhor quando cursava Letras. Ansiosa, perfeccionista e sonhadora. Consumista, que só gosta de ganhar presentes. Sempre procrastinando. Humor super oscilante. ♥ English ♥ an adorable green-eyed white rabbit ♥ Travis

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